“- Eu quero ir embora. Solta meu braço. Me deixa passar.
- Já deixei inúmeros amores passar por essa porta. Não pretendo fazer o mesmo contigo.
- Eu não sou mais seu amor. Nem nunca vou ser. Larga meu braço.
- Há controvérsias, mas tudo bem. Pode ir. Vamos ver até onde você vai antes. Se vai sair desse mesmo prédio, descer as escadas até o último andar, sair correndo sem olhar pra trás. Creio que há volta.
- Não conte com isso. Não cultive grandes esperanças. Eu quero andar com os pés no chão. Numa areia que não me queime os pés. Cansei dessa vida movediça. Chega de romance de prosa e verso. Você é muito denso, muito profundo. Eu preciso de um amor de verdade.
- Tudo bem. Pronto, já te soltei, a porta está aberta. Vai. Pode ir. Anda. Vá atrás do seu amor de verdade. Mas só espero que não seja tarde demais, pra notar que seu amor de verdade, estava de aqui o tempo todo, só você não viu.